March 13, 2015

Pão-duro e recomendations

Posted in Coisas gostosas, Comida ♥, Críticas Tangerínicas, Derping Around, Devaneios gastronômicos, Dicas, Gordices, Só me fodo., Selo Fer-chan de qualidade at 1:50 am by Fer

Uma coisa engraçada que eu descobri essa semana foi algo que a vida inteira eu chamei de “espátula de silicone”, na verdade tem outro nome.

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Eu queria roxa, mas só tinha amarela. Na foto, euzinha misturando o leite com o fermento na tigela de inox da batedeira pra fazer pão.

Tudo começou quando eu estava lá, de boas, fazendo um bolo lindo para estrear minha batedeira nova, daí peguei a espátula de silicone para raspar as paredes da tigela e meu pai, que já teve uma padaria, exclamou animado: “eu não sabia que esse pão-duro era seu!”. Achei estranho, pensei que ele realmente estivesse falando de um pão que estava duro em algum lugar por ter sido deixado fora do saquinho. Daí ele me explicou que pão-duro é o nome da espátula de silicone que a gente usa na cozinha.

Achei isso bem interessante, porque a ideia dessa espátula é justamente não deixar sobrar nada na tigela. É um acessório bastante útil e acho que todo mundo deveria ter uma.

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Massa do primeiro pão que fiz na batedeira nova.

Sobre a Planetária Deluxe Inox da Arno: comprei por causa da promessa de que ela bate massa de pão. Apesar de ter visto algumas reclamações sobre essa batedeira no site do Reclame Aqui, decidi comprar mesmo assim, porque em outros lugares li críticas boas sobre ela. Além do mais, também precisava de uma batedeira para bolos e coberturas e não podia pagar os absurdos R$2000 de uma KitchenAid. Ok, na verdade eu até poderia se fizesse uma forcinha, mas acho que gastar tudo isso numa batedeira que só vou usar de vez em quando é exagero. Se eu fizesse os meus pães, bolos e cupcakes pra vender, daí sim seria um ótimo investimento. Mas não acho que vale a pena pagar tudo isso num acessório que só vou usar em ocasiões especiais. Então optei por uma mais baratinha mesmo.

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Primeiro pão na batedeira nova.

Bem, essa batedeira de fato bate massas pesadas como as de pão e pizza, porém, ao contrário do que o fabricante divulga, ela mal aguenta massas com 500g de farinha. Só dá para bater pão nela se a receita for pequena, ou se te baixar o espírito do Jack, o Estripador e você fizer a receita em partes. No próprio manual de instruções há uma receita de massa que vai 1kg de farinha e nem tentei fazê-la, porque se não aguentou os 500g de farinha da receita de pão que fiz antes, não é com 1kg que vai aguentar. Depois fiz outra receita com pouco mais de 300g de farinha e até bateu bem e a massa ficou perfeita, mas tive que ficar segurando a batedeira com as mãos porque ela tremeu tanto que parecia que ia levantar vôo a qualquer momento.

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Ela é grande pra cacete. Se sua pia é pequena, é bom você ter um espaço no armário.

Então pra quem tá pensando em comprar, fica a dica: essa batedeira é simplesmente perfeita para bolos e coberturas, mas se você quer comprar para fazer pão, pizza ou outras massas pesadas, ou você faz receitas pequenas (até 300g de farinha) ou investe em uma KitchenAid.

Agora vamos quebrar o gelo comendo um bolo de chocolate com cobertura de cheesecake e calda de amora?

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Bolo:

4 ovos

2 xícaras de açúcar refinado

2 xícaras e 1/2 de farinha de trigo

1/2 xícara de cacau em pó

1 pitada de sal

1 colher de sopa de fermento em pó

2/3 de xícara de leite

1/3 de xícara de óleo

Ligue o forno na temperatura que você sempre usa para assar bolos (a lesada aqui não sabe qual é a temperatura exata, na maioria dos fornos que já usei é o número 3). Bata os ovos até a mistura ficar pálida e fofa. Em seguida misture aos poucos o açúcar e deixe batendo enquanto você peneira e mistura, em outra tigela, a farinha de trigo com o cacau em pó e o fermento. Tem que peneirar bem! Porque uma farinha peneirada melhora o bolo. Além do mais, é bom para desempelotar o cacau em pó. Volte para a batedeira e misture o leite e o óleo, tomando cuidado para não espirrar. Desligue a batedeira e acrescente, aos poucos, a mistura da farinha. Misture delicadamente com uma espátula e finalize batendo na batedeira por alguns segundos, só pra misturar melhor. NÃO DEIXE PASSAR DE 1 MINUTO NA BATEDEIRA! Senão a farinha vai desenvolver o glúten e seu bolo vai ficar uma merda. Aliás, se você realmente confia na sua misturança à mão, nem precisa finalizar na batedeira, eu só faço isso porque seguro morreu de velho (e eu já fiz esse bolo umas 500 vezes, é minha receita básica de bolos de aniversário). Unte uma assadeira, coloque a massa nela, põe no forno por 40 minutos, blá blá blá, acho que todo mundo aqui já fez um bolo ao menos uma vez na vida né? Que bom.

Ah, se você quer uma massa branca, pode substituir a meia xícara de cacau em pó por mais meia de farinha. E se você é intolerante à lactose, pode substituir o leite por leite de coco. Se você quiser fazer as duas coisas (massa branca com leite de coco), também fica muito bom, porque a massa vai pegar o sabor do coco.

PS: se você não tem batedeira, misture tudo à mão mesmo, começando pelos líquidos e colocando a mistura da farinha por último. Só não garanto que o bolo vai ficar tããããão fofinho porque eu nunca fiz essa receita sem batedeira.

Cobertura de cheesecake

150g de manteiga gelada, picada em cubinhos (um tablete tem 200g, corte em 4 e use três partes)

150g de creamcheese, também picado em cubinhos (um pote, eu usei o Philadelphia mesmo)

1 xícara de açúcar de confeiteiro + 2 colheres de copa cheias

1/2 colher de chá de essência de baunilha

Bata a manteiga até ela ficar bem pálida e fofa. Depois disso vá colocando, enquanto bate, os pedacinhos de creamcheese e a essência de baunilha. Desligue a batedeira e misture o açúcar usando uma colher ou espátula, depois volte a bater por uns 2 minutos até incorporar tudo. Não se esqueça de usar uma colher ou um pão-duro para limpar as paredes da tigela. Guarde fora da geladeira, porque você vai precisar que essa mistura ainda esteja mole na hora de colocar no bolo.

PS: é importante usar o açúcar de confeiteiro porque ele é fininho como uma farinha. Se você usar o refinado, vai dar para sentir os grãozinhos. Na primeira vez que fiz essa receita, esqueci de comprar o açúcar de confeiteiro e tentei trapacear batendo o açúcar refinado comum no processador: ele ficou mais fino e ainda deu pra sentir os grãozinhos. Não estragou a receita, ficou boa do mesmo jeito, mas um pacote de glaçúcar custa menos de R$3 e dá pra usar em várias receitas, então não seja pão-duro.

Calda de amora

3 pacotinhos de polpa de amora congelada

5 colheres de sopa de açúcar

1/4 de xícara de água

Misture todos os ingredientes em uma panela de fundo grosso e deixe cozinhar até ficar num ponto um pouco mais mole que calda de sorvete. Eu usei a amora em polpa porque não achei para comprar (nem para roubar de algum pé) aqui na minha cidade, mas se você achar, pode usar 4 xícaras no lugar dos 3 pacotinhos.

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O danado montado. Só a calda aparece.

Montagem:

Espere a massa do bolo e a calda de amora esfriarem. Na própria assadeira, umedeça bem a massa do bolo com leite (eu usei exatamente 1 copo de leite para umedecer o meu bolo, mas se você gosta dele BEM molhadinho, pode usar um pouco mais). Depois que o bolo absorver o leite, cubra com a cobertura de cheesecake e depois espalhe a calda por cima. Leve à geladeira por pelo menos 2 horas antes de servir.

Esse bolo é pra comer geladinho mesmo, e é uma delícia porque o azedinho da amora quebra o doce da massa e da cobertura. Huuuuummmmmm!

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Diliça geladinha!

December 8, 2012

Em um relacionamento sério com a ironia nossa de cada dia ♥

Posted in Bullying, Só me fodo. tagged , , , at 1:27 am by Fer

Murphy me ama, cara. Me ama tanto que já estamos noivos e vamos nos casar em breve, porque putaqueopariu, como esse cara me persegue.

Sabe quando você tá planejando fazer alguma coisa há muito tempo e tudo conspira para que ela não aconteça? Pois bem… há meses tô tentando fazer uma viagem e simplesmente não tô conseguindo, porque nos fins de semana que me programo para ir, sempre, mas SEMPRE acontece algum imprevisto de última hora que me impede. E hoje tô muito, mas muito puta por causa disso, porque era pra eu ter feito essa viagem hoje (sexta), mas vou precisar trabalhar amanhã. Tá, tudo bem, levo minha mochila pro trabalho e viajo saindo direto de lá… mas oh, wait! Meu plantão não será no horário de costume e por causa disso vou perder a opção de ônibus mais viável que eu tinha em mente. Resumindo: vou ficar menos de 24 horas no lugar e não vou poder aproveitar quase nada.

Murphy quer meu corpo nu banhado em óleo, só pode. u_u’

Status: bebendo uma mistura de Coca com as minhas próprias lágrimas, comendo bolacha Passatempo sem recheio e ouvindo minhas músicas de fossa.

December 5, 2012

Crazy little piece of happiness

Posted in Coisas gostosas, Críticas Tangerínicas, Devaneios, Diversos, Só me fodo., Sobre o lindo ser que vos escreve ♥, sou lesada pra caramba. tagged , , , , at 2:25 am by Fer

Não gosto de festas de fim de ano. E isso, assim como a maioria das coisas que odeio (é claro), é por causa de algum trauma. Um dia ainda vou conseguir entender porque sou uma pessoa tão suscetível a traumas, porque olha… D:

Meu Natal sempre foi uma droga porque as situações aqui em casa sempre foram extremas demais, aliado ao fato de eu raramente ganhar e também nunca ter dinheiro para dar presentes. Também detesto a hipocrisia da época, mas isso rende assunto pra um post inteiro e bem maior.

Há alguns dias, tive a ótima notícia de que vou trabalhar no Ano Novo, e isso significa que terei folga no Natal. Folga pra mim é sinônimo de viajar pra Sampa… ou seja: tenho grandes chances de passar o primeiro Natal feliz da minha vida.

Status: bebendo Coca, ouvindo Hevisaurus, sentada na cadeira com os pés em cima da cama, com o note no colo e pescando de sono.

November 28, 2012

Será que agora vai?

Posted in Arte, Coisas gostosas, Devaneios, Diversos, Só me fodo., Sobre o lindo ser que vos escreve ♥ tagged , , at 12:25 am by Fer

Ultimamente ando com uma vontade de escrever meio fora do meu normal. Gostaria que essa vontade se convertesse em inspiração para desenhar ou modelar alguma coisa, mas por motivos de força maior (a.k.a. Murphy), meu bloqueio criativo continua mais forte que nunca.

No último fim de semana, resolvi finalmente arrumar algumas coisas no meu quarto. Me mudei de Bauru pra cá definitivamente no final de julho, mas a maioria das minhas coisas ainda estavam encaixotadas dentro do meu guarda-roupa. Também trouxe a escrivaninha grande do outro quarto pro meu, pois como ela tem gavetas, pude arrumar e deixar meus materiais de desenho, pintura e artesanato um pouco mais acessíveis (afinal, seria foda ter que subir num banquinho e abrir as caixas no guarda-roupa toda vez que eu precisasse de algo). Inclusive, foi nessa escrivaninha que esbocei meus primeiros traços há mais de 12 anos atrás, então vamos ver se isso colabora para que meu bloqueio vá embora. Agora tá tudo mais acessível, e também tem mais espaço na mesa.

Enquanto não consigo desenhar nada, quero ver se pelo menos faço uns sketchbooks novos, pois o Natal está chegando e, com ele, a época de presentear azamiga e né, existe coisa melhor que dar um presente legal sem gastar muito? Hoje mesmo comprei uns papéis novos e amanhã pretendo comprar tecidos para as capas. E lá na loja, além de comprar os papéis, não resisti e também comprei um pincel novo. Tava querendo esse fazia tempo, pois ele é daqueles de esquilo amarradinhos e o pessoal fala que é muito bom pra usar com aquarela. Testei ele logo que cheguei em casa, e realmente é ótimo. Vou tentar fazer algum desenho essa semana pra estrear ele direito. Há um tempo atrás eu havia prometido a mim mesma que não ia comprar mais pincéis enquanto não gastasse os que eu já tenho, pois tenho muitos que não uso e confesso que alguns só comprei por impulso, ou porque achei que ia usar, ou porque o preço tava bom. Mas estamos perto do Natal, então resolvi me presentear um pouco antes da data. E também é mais um incentivo pra esse bloqueio do capeta ir embora, afinal eu sempre acabo fazendo pelo menos um desenho quando compro um material novo. Futilidades artísticas, a gente vê por aqui.

Outra coisa que comprei hoje e que me fez feliz: uma caixinha de Lollo! Daquelas com 3 chocolates dentro. Gordices, om nom nom nom! Chocolate é uma coisa divina e eu definitivamente fico feliz quando compro ou ganho algum! *¬*

Status: comendo amendoins e amêndoas de um pacotinho que meu pai me deu, bebendo coca, ouvindo o S&M do Metallica, deitada na cama com o note apoiado na barriga e aguardando ser abraçada por Morpheus.

November 24, 2012

O ano do bloqueio criativo

Posted in Arte, Devaneios, Diversos, Só me fodo., Sobre o lindo ser que vos escreve ♥ tagged , , , , , , , at 1:27 am by Fer

Meados de 2008/2009… a gloriosa época em que o fato de eu não ter um computador era uma boa desculpa para usar o meu tempo livre fazendo outras coisas, como ler e desenhar. Passei por umas situações realmente tensas nesses dois anos, mas artisticamente falando, eles foram o auge da minha criatividade. Eu desenhava bastante, vivia com meu caderno de esboços comigo… aliás, eu tinha vários cadernos de esboços, e usava todos. Lia e estudava bastante sobre os temas que me interessavam quando não sentia vontade de desenhar. Andava pela cidade de Bauru, passeando e buscando inspiração para alguns trabalhos. Bons tempos.

Já o ano de 2012 foi uma merda pra mim, artisticamente falando. Não posso botar a culpa no computador, que foi comprado no final de 2010… a culpa é minha mesmo, por ficar tanto nele. Mas a verdade é que esse ano foi tenso pra mim de várias formas, e tudo o que aconteceu de ruim nele acabou influenciando essa porcaria de bloqueio criativo pelo qual eu tô passando. Mas teve uma coisa que teve mais impacto que as outras.

Logo após o Carnaval, exatamente na Quarta-feira de Cinzas, acordei por volta das 6h da manhã com uma dor no estômago tão forte que eu mal conseguia respirar. Como eu morava em Bauru, fui ao médico de lá, que diagnosticou o meu problema como sendo “só uma virose”, me medicou, receitou remédios e me mandou embora. No dia seguinte, uma quinta-feira muito quente, levantei sem dores, mas foi só comer alguma coisa que o desconforto voltou, junto com vômito toda vez que eu ingeria alguma coisa (até água). Pensei seriamente em voltar para a casa do meu pai por uns dias, já que na época eu não estava trabalhando, e de fato foi o que acabei fazendo depois que um amigo me aconselhou a fazer isso. Chegando aqui, mal pisei na rodoviária, minha mãe já me levou ao pronto-socorro e passei a primeira de 3 noites infernais lá. Quando melhorava, recebia alta, mas era só comer alguma coisa em casa que eu piorava e tinha que ser internada de novo. Me picaram tanto para tirar sangue, fazer exames e aplicar soro que eu estava parecendo uma viciada em drogas, por causa de todas aquelas picadinhas e pequenos hematomas nos braços e nas costas das mãos.

No domingo pela manhã, após suspeitarem que eu tinha hepatite (minha mãe até chorou nessa hora) e depois tantos exames feitos, finalmente saiu o verdadeiro diagnóstico: colecistíase, também conhecida como cálculo biliar ou pedras na vesícula. “Ah, beleza, é só fazer uma cirurgia para tirar as pedrinhas e tá tudo bem”, ouvi um dos médicos dizerem. Lembro que minha pressão baixou, quase desmaiei e precisaram me colocar no soro de novo quando ouvi isso, porque sempre me caguei de medo de ser operada. Aliás, nessa hora eu até estava usando um catéter nas costas da mão esquerda, porque as enfermeiras já não tinham mais onde me furar e decidiram colocar a bagaça na última veia saudável que eu tinha.

A cirurgia ia demorar para acontecer, então o médico me receitou uma dieta sem gordura, para não sentir mais dores. Quem chegou a acompanhar o drama deve lembrar: eu não podia beber leite integral, nem comer arroz ou qualquer coisa que tivesse um mínimo fiozinho de óleo ou gordura na receita, e dessa forma passei 4 meses infernais me alimentando somente com pão, carnes magras, gelatina, frutas e outras coisas que eu odeio. Foram 12kg perdidos do jeito mais torturante possível. Só de pensar em sentir aquela dor de novo me fazia sentir um medo absurdo de comer qualquer coisa fora da dieta. A cirurgia por laparoscopia finalmente aconteceu no dia 30 de junho, data escolhida estrategicamente, já que nesse meio tempo eu já estava trabalhando como professora eventual e minha recuperação se daria nas férias escolares.

Na primeira semana, parecia que eu ia morrer. Um corte pequeno abaixo do sutiã, dois furinhos na lateral direita do abdômen e outro corte um pouquinho maior no umbigo, que foi o mais dolorido de todos. Os cortes foram bem pequenos, mas a dor era enorme, principalmente no corte do umbigo. A segunda semana foi bem mais sossegada, apesar de continuar meio dolorido. Eu conseguia andar por aí sem problemas e só doía mesmo quando eu forçava a região abdominal. Conforme os dias iam passando, eu me recuperava e ia aos poucos podendo voltar a comer normalmente, apesar de sentir alguma dor-fantasma às vezes. Na verdade, já fazem quase 5 meses que a cirurgia aconteceu e ainda sinto dores-fantasma, mas com bem menos frequência que antes.

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O maior corte da cirurgia foi esse do umbigo, e foi também o mais dolorido. Os outros três eu nem sentia, mas em compensação, a dor desse aí me fazia até chorar algumas vezes nos primeiros dias.

Porque falei tanto sobre um simples problema de saúde? É que nesses meses todos que passei com ele, nem conseguia pensar em desenhar ou em ler nada. Me recuperei da cirurgia há um bom tempo… mas meu bloqueio criativo continua aqui e ainda não deu indícios de que pretende ir embora.

Tenso. u_u

November 13, 2012

Devaneios Gastronômicos Cítricos – parte I: Cebolitos coreano

Posted in Comida ♥, Devaneios gastronômicos, Dicas, Gordices, Que porra é essa? D:, Só me fodo. tagged , , , at 8:40 am by Fer

Estreando uma nova sessão aqui no Tangerinices: Devaneios Gastronômicos Cítricos! Apenas porque adoro falar sobre coisas que eu gosto, ainda mais se essa coisa for comida. Na verdade também gosto de falar sobre coisas que eu odeio, e também existem comidas que eu odeio, então assunto não vai faltar. Comida é uma coisa linda, e sendo boa ou ruim, sempre dá pra falar sobre isso. ♥

Quando eu tinha uns cinco anos de idade, me deram um pacote de Baconzitos em casa e, como uma gorda de respeito (mesmo que eu não passasse dos 20kg na época, afinal, gordice mental também pode estar dentro de gente magra), mandei tudo pra dentro. Ou melhor, mandei tudo pra dentro e alguns minutos depois minha mãe tava me batendo por ter vomitado o pacote inteiro no chão da cozinha que ela havia acabado de limpar. Essa foi a última vez que a chibi-Fer comeu salgadinho? Se dependesse da minha família, sim.

Alguns anos depois, com a grana que eu deveria usar para comprar um enroladinho de presunto e queijo com um copo de refri na hora do recreio, acabei cedendo aos encantos da embalagem verde daquele salgadinho do Cebolinha da Turma da Monica. Essa foi a minha primeira experiência degustando um salgadinho de cebola, e mesmo me cagando de medo de vomitar de novo, apanhar na hora que eu chegasse em casa e correr o risco de nunca mais me darem dinheiro para comer na escola, achei o sabor tão divino que até me escondi para não precisar dividir aquele pacote celestial com ninguém. Felizmente, apesar de eu ter sentido um considerável desconforto estomacal por algumas horas, minhas entranhas não expeliram aquele alimento maravilhoso e correu tudo bem.

Anos depois, não me recordo exatamente quando, “descobri” aquele manjar dos deuses que as pessoas comuns costumam chamar de Cebolitos e nesse dia ele foi promovido ao cargo de meu salgadinho favorito. Hoje em dia, assim como uma amiga minha que curte misturar feijão com tudo (reza a lenda que ela mistura até com sorvete, o que torna ineficaz aquele meme do “queria sorvete, mas era feijão”), eu tenho a capacidade de combinar Cebolitos com qualquer coisa. É claro que, por questões de bom senso (também conhecido como “questões de saúde” ou “não tenho mais vesícula”), não consumo isso todos os dias. Na verdade, se eu como um pacote a cada duas semanas já é muito. Mas é fato que já comi Cebolitos acompanhando lasanha, panqueca, massas em geral, ao lado de algum sanduba ou até mesmo com arroz, bife e salada. Amo demais esse salgadinho e juro que se ele tivesse barba e neca, eu casava com ele.

Na última vez que fui pra São Paulo visitar alguns amigos, fui até o bairro da Liberdade e comecei a procurar alguma guloseima diferente nas prateleiras do Marukai (aquele mercadinho perto da estação que vive cheio de otakus comprando Mupy e Pocky pra farofar nos eventos). Eis que eu vejo na primeira prateleira aquilo que deveria ser “a” descoberta: um salgadinho de cebola coreano. Foi nesse exato momento que meus olhos brilharam, minhas pernas ficaram bambas e minhas mãos começaram a suar. Eu estava na frente de um Cebolitos coreano, e como toda boa apaixonada por coisas orientais, já imaginei que aquilo fosse ainda mais divino que passar Nutella no Kurama e lamber tudo. Não pensei duas vezes: comprei um pacote, toda feliz e serelepe. Fiquei até meio estressada porque a fila do caixa estava grande demais, e eu queria saborear a minha delícia logo.

Eu e meu amigo saímos do mercado. Ele com um salgadinho de lula e um de polvo, eu com minha delícia de cebola. Altas expectativas ao abrir o pacote. Minhas mãos suavam. O estômago clamava por aquela iguaria que aparentava ser única. Abri o pacote, coloquei a mão lá dentro, peguei uma das peças, levei à boca, mordi na metade com vontade, mastiguei. Sabe quando você se apaixona por alguém, e quando finalmente consegue a atenção do ser, se decepciona porque nos seus sonhos era tudo tão lindo e na realidade a pessoa é chata, sem graça e fala “seje”? Então.

Foi a decepção em formato de argolinha. Não consegui comer o segundo. O pacote está em casa até agora, fechado num saquinho, aguardando ser jogado fora.

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Nunca comprem essa merda.

Tirando a poética do texto e falando sério agora: puta bagulho ruim! Ele não tem gosto de cebola e quase não tem sal. E não foi diferente com os salgadinhos de lula e polvo que meu amigo comprou, mas é que eu estava depositando tantas expectativas no meu de cebola… T-T

E essa sou eu nunca mais experimentando outro salgadinho de cebola. Cebolitos forever! ♥

November 9, 2012

Não sendo aquele com uva-passa, eu mando pra dentro fácil.

Posted in Arte, Críticas Tangerínicas, Devaneios, Dicas, Diversos, Só me fodo., Sobre o lindo ser que vos escreve ♥ tagged , , , at 9:36 am by Fer

Hoje eu quero falar sobre o tal do talento.

Não, não é sobre aquele chocolate maravilhoso. Aliás, o meu Talento favorito é o da embalagem vermelha, fica a dica pra quem quiser me presentear. Apesar que eu ainda prefiro Ouro Branco… não, pera, foca no texto, Fer!

Comecei a desenhar com 12 anos de idade, graças a uma revistinha que peguei emprestada com uma amiga na época (abraços, Martha!). Era uma revista em quadrinhos desenhada por brasileiros, fazendo sátiras muito engraçadas com os animes da época. Se não me engano, era uma Aniparo. Comecei a copiar os desenhos a olho, só pra ver se eu conseguia. Com algum esforço, consegui. Depois comecei a copiar outros desenhos e, depois de algum tempo praticando, eu já conseguia desenhar sem olhar. Sempre treinava. É claro que não com tanto afinco como a maioria das pessoas que gosta de desenhar, mas treinava.

Desenhar era o meu refúgio, e fazendo isso eu me desprendia de tudo o que me incomodava. Mesmo que por pouco tempo, eu esquecia que não tinha amigos, esquecia que existia aquela escola maldita onde sofri tanto, esquecia que a minha família me discriminava por não ser o que eles chamam de “pessoa normal”. Desenhei por anos, apenas por diversão. Treinava coisas novas quando dava vontade, desenhava as mesmas coisas quando tinha vontade, ou às vezes só rabiscava aleatoriamente até aparecer alguma coisa curiosa.

Hoje já tenho 24 anos e, mesmo que meu traço ainda não seja o que eu gostaria que fosse, ainda desenho. Ou seja: passei praticamente metade da minha vida desenhando, pra depois aparecer um babaca dizendo que eu só sei desenhar porque tenho talento? Porra nenhuma!

Daí sempre tem outro tipo de babaca que fala: “ai, eu nunca conseguiria desenhar desse jeito”. É claro que você não vai conseguir fazer nada se não tentar, seu idiota. Por acaso você nasceu sabendo escrever? E mesmo quando aprendeu, sua letra era bem feia no começo, não era? Eu, por exemplo, tenho a letra feia até hoje. É óbvio que os seus primeiros desenhos ficarão feios, porque ninguém nasceu sabendo. Existem coisinhas chamadas prática, paciência, esforço… só que como o ser humano é um ser escrotamente babaca, ele acha mais fácil diminuir o esforço dos outros do que reconhecer anos e mais anos de trabalho duro.

Existem pessoas que tem mais habilidade que outras? Sim, isso é fato. Aliás, eu nem chamaria de “habilidade”. Acontece que desenhar é observar. Como é que você, otaku, quer aprender a desenhar um kimono sem nunca ter visto como se veste um kimono? Ou você, pessoa lesada que nunca presta atenção em nada, como espera conseguir desenhar alguma coisa sendo que você precisa prestar atenção nos formatos e cores? É fato que todas as pessoas que desenham são boas observadoras. E também tem o fator “gostar”: se a pessoa não ama o cinema do fundo do coração, ela jamais será uma boa cineasta; se a pessoa não ama literatura, ela jamais será uma boa escritora… então, se a pessoa não ama as artes, ela não vai conseguir se sair bem nessa área. Tem que gostar, senão não rola. E quando eu falo em “gostar”, não me refiro às pessoas que apenas vêem aquilo e acham “legal” ou “bonitinho”. Tem que ter paixão por isso!

Confesso que sou bem radical quando se trata desse assunto… acho que dizer “você tem o dom para a pintura” só minimiza os anos de aprendizado, estudo de técnicas e material desperdiçado pelo artista. Porque sim, a maior parte do material que usamos é desperdiçado, já que nem todos os trabalhos ficam bons. A cada tela que um pintor expõe numa galeria, pelo menos dez telas e muitos tubos de tinta são gastos em treinos. Dizer “você tem talento para fazer cosplay” só minimiza todo o esforço, dinheiro e tempo gasto pelo cosplayer para conseguir aquele resultado (detalhe que nesse caso também há o fator desperdício). Dizer “queria ter a mesma habilidade que você para escrever” só minimiza todas as árvores gastas em papel e todo o tempo que o escritor passou lendo, estudando e escrevendo para chegar naquele nível.

Dica para quem já tem ou um dia quer ter filhos: nunca digam à criança que ela tem talento ou dom. Ela vai acabar pensando que consegue fazer as coisas sem esforço, e vai se frustrar com isso. Se você acha que seu filho desenha bem, apenas diga que o trabalho está bom e o incentive a melhorar, compre revistas, pose para ele. E principalmente, DEIXE ELE ASSISTIR DESENHOS! Não consigo escrever essa frase sem ligar a caixa alta, me desculpem. Aliás, deixe ele assistir de tudo. Aliás, assista com ele. Ou então apresente o pirralho para mim, que eu dou um jeito. Só não posso garantir que a experiência não será traumatizante para o pequeno, mas enfim.

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 Seria tipo isso.

Por isso, jovem pessoa ignorante, se quer realmente elogiar o trabalho de alguém (principalmente se forem trabalhos artísticos/culturais), nunca mencione palavras como “dom”. Ah, e se for pra falar de talento, só se for “olha Fer, gostei tanto do seu desenho que acho que você merece esse de avelã”. Nham, nham… *-*

Às pessoas deficientes em intepretação de texto: falei mais sobre desenho do que sobre outros tipos de arte porque essa é a minha área, mas continua válido se você trocar a palavra “desenho” e colocar no lugar qualquer outra coisa relacionada à área artístico-cultural.

E sim, fiz esse post porque fico revoltada quando se fala em “dom” ou “talento”. Nunca acreditei nessas coisas e nunca vou acreditar. Abraços!

November 8, 2012

Pirações e quatro em um

Posted in Coisas gostosas, Críticas Tangerínicas, Devaneios, Diversos, Só me fodo., Sobre o lindo ser que vos escreve ♥, sou lesada pra caramba. tagged at 4:28 pm by Fer

E cá estou eu, sem nada pra fazer. Então, já que é assim, pelo menos vamos tentar usar esse tempo livre com algo útil. Ou não. Se bem que escrever posts para um blog ainda é mais útil do que ficar sem fazer nada. Então tá. Senta que talvez o post seja grande. E nem tentem entender, porque até hoje eu nunca contei isso pra alguém sem que a pessoa tenha me olhado com cara de espantada e me achado uma louca. Como se eu me importasse com isso. Bah…

Tenho uma teoria de que, na verdade, existem várias pessoas dentro cada um de nós. Eu, por exemplo, tenho quaro dentro de mim. Bom, pelo menos por enquanto eu só identifiquei quatro, mas pode ser que existam mais. Não dou nomes a elas, até porque todas teriam que ser “Fernanda-alguma-coisa”, e acho que nome de novela mexicana não combina muito comigo. Também não sei definir exatamente cada uma. Só sei que normalmente uma delas costuma assumir a maior parte do controle por um determinado período e, seja por causa de certos acontecimentos ou simplesmente por se cansarem de tomar as rédeas, outra acaba assumindo em seguida. Ainda não descobri se isso é um mecanismo de defesa criado pelo meu próprio subconsciente, ou se é uma forma de punição para comigo mesma.

Só pra esclarecer qualquer curiosidade que possa surgir: a Fernanda que está assumindo nesse exato momento é a desencanada: faz o que quer sem ligar para o que as pessoas pensam. Tá certo que, por causa disso, ela acaba se ferrando em alguns casos, mas daí sempre tem uma pessoa compreensiva aqui dentro que depois assume para ajeitar as cagadas. Se alguns posts desse blog parecerem diferentes uns dos outros, não estranhem, pois as diferentes Fernandas também têm jeitos diferentes de escrever.

Agora, imaginem como é lindo quando todas as 4 resolvem se pronunciar diante de uma situação. Vou usar um exemplo de muito tempo atrás: houve uma época em que eu estava apaixonada por alguém que vivia longe de mim. Se o sentimento não fosse recíproco, teria sido lindo… é fato que eu sofreria por um tempo e isso não é nada bom, mas pelo menos mais cedo ou mais tarde eu acabaria desencanando. Mas como eu era correspondida, duas partes do meu ser estavam pessimistas e as outras duas estavam otimistas com relação à situação. Todas de maneiras completamente diferentes:

– A otimista 1 achava que, quando se ama de verdade, não existe distância e que o único empecilho seria a falta de contato físico. Afinal, não existem tantos relacionamentos em que as pessoas moram na mesma cidade e não conseguem se ver por falta de tempo, seja por causa do trabalho, dos estudos e coisas do tipo? Ou então pessoas que moram perto e não tem o grau de intimidade que eu tinha, mesmo à distância, com o dito cujo. Aliás, eu penso que distância de verdade é justamente isso: você estar perto apenas fisicamente.

– A pessimista 1 achava que o relacionamento não ia vingar justamente por causa da falta de contato físico. Achava que um relacionamento desse tipo estaria propenso a fraquezas da parte dele e tinha muito medo de se decepcionar com isso.

– A otimista 2 achava que a distância era uma coisa boa. Não sei vocês, mas quando eu visito algum amigo que não vejo há muito tempo, por mais puta que eu esteja com ele ou por mais que eu odeie certas coisas que ele faz, não vou ficar discutindo e nem brigando porque sei que o tempo junto dele será precioso. Agora, quanto aos amigos que a gente vê sempre, eu nunca tenho escrúpulos para estressar quando preciso, pois sei que temos tempo de sobra para reconciliações e mais briguinhas bobas. Então, de acordo com essa lógica, um relacionamento à distância teria mais espaço para amor e carícias e menos espaço para aquelas briguinhas chatas e desnecessárias.

– A pessimista 2 achava que a distância só disfarçava os defeitos da pessoa justamente pelo fato de não existirem essas brigas e discussões.

Agora façamos uma performance imaginária só para completar a desgraça da situação: juntem todas essas vozes a uma pessoa que já não tem a maior autoestima da face da Terra, e que também é bastante pessimista por natureza… então observe a dona dessas vozes entrar em colapso por vários meses e quase pirar de vez.

Pra quem ficou curioso sobre como essa história acabou… no final das contas, me estressei tanto à toa. O relacionamento nem chegou a acontecer, porque a pessoa em questão só tinha as vozes negativas na cabeça. Esse foi um raro momento em que as quatro Fernandas entraram num consenso: não queríamos (e ainda não queremos) nos relacionar com uma pessoa que desiste, sem nem tentar, de correr atrás algo que ela mesma jurava querer tanto.