June 29, 2015

Resenha – Lápis de cor Koh-I-Noor Mondeluz

Posted in Arte, Críticas Tangerínicas, Devaneios, Dicas, Gordices tagged , , , at 3:41 am by Fer

Esse fim de semana eu me entupi de Nutella. Comi com pão de queijo (parece nojento, mas fica muito bom!), com bolacha e até fiz chocolate quente de Nutella. Daí tem gente dizendo pra pararmos de comer Nutella, porque vai óleo de palma na receita e aparentemente o cultivo da palma afeta o ecossistema asiático.

É claro que vamos parar de comer essa delícia, afinal:

1 – O óleo de palma só é usado na Nutella, não serve pra outra coisa.

2 – As áreas usadas para o plantio da palma automaticamente voltarão a ser florestas.

3 – A soja, a azeitona e outras plantas usadas para fazer outros tipos de óleo não contribuem com o desmatamento de nada.

Agora se você acha que vai salvar o mundo parando de comer Nutella ou se você acha que não fui irônica ali em cima, faça um favor para a humanidade e se enforque, por favor.

No post anterior eu comentei sobre os lápis aquareláveis Mondeluz que adquiri recentemente. Você praticamente não vê resenhas sobre esses lápis por aí (principalmente em português), então me sinto na obrigação de compartilhar minhas impressões sobre esse material com quem fala o meu idioma.

Fiz uma pequena comparação com os da Faber-Castell, também aquareláveis. Tá, é uma covardia extrema comparar um lápis importado super foda, macio e pigmentado com os que são produzidos aqui no Brasil, mas hey, isso aqui é só uma resenha. Se não comparar com o lápis que a maioria das pessoas tem acesso, vou comparar com o que? Lá vai.

Preço

Primeiro de tudo,vamos falar sobre o preço. Para ficar justo, vou pegar o preço do Mondeluz de 36 cores em vez do de 72, que é a minha caixa. Detalhe: pesquisei onde cada um deles é mais barato.

Faber-Castell 36 cores: R$49,90 na Kalunga.

Mondeluz 36 cores: R$137,65 na Fruto de Arte.

Conclusão: o Faber leva uma vantagem gigantesca no preço.

Cores

Agora o que interessa, que são as cores: já vou avisando que não vou colocar todas elas aqui. Primeiro, porque minha caixa do Mondeluz tem 72 cores e minha caixa de aquareláveis da Faber-Castell tem apenas 36. Então peguei apenas algumas poucas cores de cada. Para ser justa, escolhi as cores mais próximas entre as duas caixas: preto, vermelho, bordô, azul da Prússia, verde água, verde folha, amarelo e laranja escuro.

Aqui eu usei as cores puras, sem misturar ou aquarelar, apenas formando um degradê de leve. As de cima são Faber e as de baixo são Mondeluz.

Teste de lápis 01A primeira coisa que dá pra notar com isso é que o papel parece deixar a textura mais evidente com o Mondeluz. Isso porque, por ser mais macio, foi necessário fazer menos pressão nos lápis. Qualquer risquinho que você faz deixa bastante cor no papel e é preciso ter cuidado quando você precisa de cores suaves. Já os da Faber mostram menos a textura do papel porque foi preciso fazer mais pressão para as cores saírem.

Notem a diferença entre o azul da Prússia. Na minha opinião, foi a diferença mais gritante, já que eu uso bastante esse azul. O da Faber tem o corpo bem escuro que engana quando você vai pintar, mas na hora de riscar com ele, a cor sai muito clara.

Conclusão: Mondeluz leva vantagem na veracidade das cores.

Aquarelando

Agora vamos pegar um pincel molhado e aquarelar pra ver como fica!

Teste de lápis 02Esse papel é exatamente o mesmo dali de cima, que escaneei de novo depois de aquarelar. À primeira vista, as cores são bem parecidas, mas a primeira coisa que você nota é que algumas cores dos lápis da Faber não se dissolvem totalmente. É por isso que a maioria das pessoas fica frustrada quando usa o pincel úmido depois da pintura. Já o Mondeluz fica com pouca ou nenhuma marca embaixo do papel.

Outra coisa que notei foi o grau de pigmentação dos lápis, mostrado pelas bordas da parte aquarelada. Vamos dar um zoom em uma das cores e colocar uma ao lado da outra para ver melhor:

Teste de lápis 03A quantidade de água usada nas duas foi exatamente a mesma, mas é gritante que o verde da Faber, à esquerda, além das horríveis marcas do lápis, ficou sem a borda característica de tintas bem pigmentadas. Já o verde do Mondeluz, à direita, ficou com a bordinha bem marcada. Isso é porque o da Faber tem menos pigmento na composição.

Conclusão: Mondeluz leva vantagem na pigmentação.

Misturando

Agora vamos falar em como esses lápis se comportam quando se faz mistura de cor com eles.

Teste de lápis 04Se eu fosse misturar tudo o que eu gosto, esse post ficaria enorme. Então só misturei as básicas: azul com amarelo pra formar verde, amarelo com vermelho para formar laranja e vermelho com azul para formar violeta. E ao lado, uns degradês básicos de azul com verde e de laranja com vermelho. Na metade de baixo de cada uma dessas manchas, usei o lápis branco com força. É essa uma das grandes utilidades do lápis branco: se comportar como um blender, ou seja, ajudar a misturar as cores e eliminar os branquinhos do papel.

Novamente, as cores de cima são Faber e as de baixo, Mondeluz. Se vocês prestarem atenção, os lápis se misturam mais ou menos na mesma intensidade. A grande sacada dessa vez é mostrar como o branco se comporta: enquanto o da Faber é pouco pigmentado, ele só se comporta como um blender. Já o branco da Mondeluz, além de agir como blender, ele também clareia. Isso é porque o Mondeluz é bem mais pigmentado e se sobrepõe até mesmo por cima de cores mais escuras. Quando não quero clarear as cores, uso o lápis branco da Faber por cima dos Mondeluz sem medo de ser feliz.

Conclusão: os dois se comportam de forma similar no quesito mistura de cores, mas o fato do branco da Faber não clarear as cores não é uma desvantagem, assim como o branco do Mondeluz clarear as cores nem sempre é uma vantagem. Então nesse ponto os dois estão pau a pau.

Cobertura

No post anterior, mostrei alguns desenhos que foram feitos em papel marrom, então achei que seria legal compartilhar minha experiência usando os lápis em alguns papéis coloridos que tenho aqui. Como o preto se sobrepõe a todas as cores facilmente, eu o substituí pelo branco nesse teste. Como sempre, os de cima são Faber e os de baixo são os Mondeluz.

Teste de lápis 05Como vocês podem ver, a diferença mais gritante é o branco e o amarelo. Enquanto o da Faber fica meio transparente, o Mondeluz cobre bem a superfície do papel. E com as outras cores não é diferente.

Conclusão: Mondeluz leva vantagem na cobertura de papéis coloridos.

Espessura

Uma outra diferença que não sei se dá para perceber na foto abaixo: os lápis Mondeluz são um pouquinho mais grossos que os da Faber. Isso porque a mina deles é de 3,8mm, enquanto a mina da Faber é de 3,3mm (assim como a mina da maioria dos lápis aquareláveis vendidos no Brasil). Logo, se a mina é um pouco mais grossa, o corpo do lápis acompanha essa diferença de tamanho. Na verdade, a maioria dos lápis importados tem a mina de 3,8mm, inclusive os da linha importada da Faber-Castell.

Conclusão: Mondeluz leva vantagem por ser mais grosso e, logo, durar um pouco mais.

Por último: mostrando uma foto dos lápis usados nesse post para que vocês possam ver informações básicas, como o número da cor, código, o corpo bonitinho dos lápis, essas coisas.

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A conclusão no geral sobre esses lápis? Na verdade não tem. É injusto eu dizer que Mondeluz é melhor que Faber, pois as vantagens vem junto com o preço alto. Daí depende do que você vai fazer com os lápis. Vai usar para vender desenhos ou pra pintar livrinho? Vai usar para a sua faculdade de design e artes plásticas ou você desenha por hobby? Tem que levar muita coisa em consideração:

– Eu particularmente acho uma besteira usar lápis caros como esses em livros de colorir, mas se a pessoa tem essa grana toda pra gastar com um hobby, tudo bem. Eu mesma desenho por hobby e uso tanto os lápis da Faber quanto os Mondeluz.

– Se você vai vender seus desenhos, não é justo com o seu cliente se você usar lápis baratos. A cor deles não dura muitos anos e o desenho ficará desbotado em pouco tempo. O cliente paga por algo que deveria durar, então a sua obrigação é entregar um trabalho que dure, feito com lápis e papel de qualidade.

– Seus desenhos não vão ficar mais bonitos se usar um material mais caro. Tem muita gente que faz trabalhos incríveis com uma caixinha de 12 cores de lápis vagabundo, enquanto eu considero bem medíocres os meus trabalhos com minha caixa de 72 do Mondeluz. Um material bom apenas vai potencializar seu trabalho, e talvez valorizá-lo um pouco, mas nunca vai substituir anos de esforço e treinamento.

– Para usar na faculdade eu acho válido os lápis importados, pois muitos dos trabalhos que fiz durante o meu primeiro ano (2008) já estão bem desbotadinhos. Várias coisas que se faz nessa época acaba indo para o portfólio do artista. É uma pena que a grande maioria dos universitários não tenha grana para investir em materiais bons. Uma máquina do tempo me seria bem útil agora.

June 20, 2015

Lápis, remakes e DA novo!

Posted in Arte, Coisas gostosas, Críticas Tangerínicas, Derping Around, Dicas tagged , , , , , at 1:29 am by Fer

Essa semana eu quase infartei.

Várias pessoas me mandaram pelo Facebook uma postagem dizendo que o estúdio MadHouse teria sido contratado para fazer um remake de Yuyu Hakusho. Qualquer um que clicasse no link já conseguiria perceber a trollagem, mas na primeira vez que vi esse post, eu estava no pronto-socorro fazendo inalação (tô com pneumonia), ou seja, estava dependendo da internet lenta do celular. Então imaginem o meu desespero: sem poder voltar pra casa, sem internet decente, sem ninguém pra me explicar direito o que tinha no maldito link e ainda por cima respirando uma fumacinha fedida. Só depois percebi que muitas das pessoas que me marcaram naquilo não conferiram o link e realmente acreditaram na notícia. Horas depois, quando voltei pra casa e pude fazer uma rápida pesquisa no Google, cheguei à conclusão de que a obra-prima da minha vida estava intacta. Isso mesmo, bebês! Não vai ter remake de Yuyu Hakusho! Pelo menos não por enquanto.

IMG_20150322_231035428Quis colocar a foto da minha caneca de chocolate quente aqui sem nenhum motivo.

Sempre fui absolutamente contra um remake de Yuyu, ainda mais se for feito pelo MadHouse, que conseguiu fazer tanta cagada em HunterXHunter. Sobre esse último, mal aguentei assistir até o episódio 15, e dizem que depois de sei lá quantos episódios fica bom. Mas pra mim, um anime bom tem que prender o espectador desde o começo. Não vou perder meu tempo assistindo 60 episódios ruins pra só depois começar a gostar da bagaça. Tenho tempo livre, mas não sou idiota. Logo, com relação a HunterXHunter eu prefiro mil vezes o mangá. Dói ver um dos meus mangás favoritos sendo animados com traço porco e dublado com vozes ruins.

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Minha nova caixa de lápis de 72 cores da Mondeluz, junto de um dos meus caderninhos de desenho. Adoro postar foto desse caderno porque a capa dele é o tecido mais maravilhoso que já vi na minha vida.

Mudando drasticamente de assunto, estou aos poucos voltando a desenhar, yeee! /o/

Essa é a minha caixa de 72 cores de lápis Mondeluz, da Koh-I-Noor. São simplesmente os melhores lápis que já usei na minha vida. E olha que já tive lápis Albrecht Dürer, Polychromos e Caran D’Ache. Essas três são ótimas marcas de lápis e quem os tem é um grande sortudo, mas ainda prefiro os Mondeluz. Questão de afinidade, né.

Não sou de ficar mostrando muito, mas aí vai uma pequena galeria e alguns comentários:

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O começo de uma das pinturas do meu Jardim Secreto. Não que eu tenha comprado esses lápis para colorir o livro – não, acho que quem faz isso é louco, ou tá limpando a bunda com dinheiro. Lápis importado é pra treinos e desenhos a sério. Usar um lápis caro desse pra pintar livrinho é um dos maiores desperdícios de dinheiro que existem. Eu só colori essa página da coruja com os lápis importados porque eles tinham acabado de chegar e, apesar de estar doida para estreá-los, eu não conseguia desenhar nada para colorir com eles, então estreei no livro mesmo. O resto dos desenhos do livro tão indo muitíssimo bem com os meus velhos Faber-Castell baratões.

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Ando com muita tara por desenhar elfos. Essa aí foi desenhada no papel vergê marrom e colorida com os Mondeluz. Eles são ótimos para usar em papel colorido porque as cores sobrepõem bastante. São super fortes e ótimos para usar com papel de qualquer cor. Se tiver textura então, fica ainda melhor! Eu gostaria de ter me lembrado de tirar a foto do desenho antes de colorir, só com os contornos, mas esqueci. Porém…

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Com esse outro desenho eu lembrei de tirar a foto antes. Quase nada do papel por baixo fica, a não ser que você queira que ele apareça. Já disse que amei esses lápis?

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Outro desenho usando os Mondeluz, porém esse foi feito no papel branco mesmo. É muito mais fácil lidar com as cores no papel branco, mas confesso que depois de usar papel colorido em dois desenhos seguidos, eu senti que esse ficou pálido demais.

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A página da coruja em mais ou menos 50%… que é exatamente como ela está agora. Isso porque parei de colorir o livro por um tempo, para poder me dedicar apenas aos meus próprios desenhos. E apesar da minha recente tara por lápis de cor, meu material favorito ainda é aquarela.

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Como esse outro elfo cheio de erros de anatomia e que meus alunos juram de pés juntos que é o Frodo…

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E esse incompleto Sr. Tumnus, que fiz no meu caderninho de capa linda.

Em breve, todos eles estarão no meu novo DeviantArt. Junto de outros desenhos novos, assim espero.

Materiais usados nas fotos e desenhos do post:

Aquarelas de pastilha Talens Van Gogh 15 cores

Lápis de cor aquarelável Koh-I-Noor Mondeluz 72 cores

Canetas nanquim Unipin Fine Line de várias espessuras

Canetas gel Signo Uniball nas cores branca e dourada

Canetas-pincel Daiso

Pincéis Reeves de vários tamanhos

Papel vergê marrom 120g/m²

Papel Canson 200g/m²

Papel Montval 300g/m²

June 27, 2014

Sobre dragões e estresse

Posted in Arte, Coisas gostosas, Derping Around, Devaneios, Dicas, Diversos, Filmes, Livros tagged , , , , , , , , at 12:01 am by Fer

Hoje eu me dei a tarde de presente, já que era pra eu ter ido na droga do curso de corte e costura e que tô detestando porque a professora acha que eu sou retardada ou sei lá o que. Fiquei morgando à tarde porque mereço, afinal, ontem eu terminei de fazer o meu plush do Toothless (ou Banguela, como preferirem), que me deu um trabalho dos infernos. Aliás, antes que alguém me critique por falar “plush” no lugar de “bichinho de pelúcia” ou algo do gênero, respondo que a pelúcia é apenas o nome daquele tipo de tecido peludinho usado nos bichinhos. Não tem sentido chamar de “bichinhos de pelúcia” se eu fiz a bagaça usando feltro ou algum outro material. Mas enfim, comecei anteontem e o negócio me tomou tanto tempo que praticamente não vi a hora passando enquanto cortava, costurava e me estressava.

Não esperava conseguir fazer tão rápido, porque os moldes que consegui estavam bem difíceis de entender e passei um tempão tentando montar o quebra-cabeça depois que cortei os pedaços. Quem vê deve pensar “mas Fer, duas tardes é tempo pra caramba!”. Não, jovem padawan… se você visse os moldes, concordaria comigo. Isso se seu cérebro não desse um nó ao tentar entender aquela bosta.

Toothless 02Não ficou perfeito, mas amei o resultado. E olha que pra eu curtir o resultado de alguma coisa que eu mesma fiz é foda, hein.

O resultado:

1 – Gostei bastante de ter feito esse plush. Foi difícil e demorado para entender os moldes, mas uma vez que consegui fazer isso, o resto não foi tão absurdamente impossível como parecia.

2 – Se por um lado gostei de fazer, por outro me estressei bastante. Creio que parte do problema já está resolvido, afinal acho que uns 60% do estresse foi na hora dos moldes. Os outros 40% são tomados por linha que embola na máquina na hora de costurar muitas camadas, feltro que não fica no lugar na hora da costura e perco tempo alinhavando tudo, cagadas por causa de distração na costura e depois tenho que desmontar e arrumar, etc. Nada fora do normal.

3 – Ele ficou muito fofo e gostosinho, apesar de ter feito com feltro. Eu uso feltro porque não vende plush na maravilhosa cidade onde moro. ❤

4 – Nunca entendi a minha tara por continuar fazendo uma coisa que me estressa e ainda ficar feliz com isso. Deve ser porque eu sei que o resultado final vai compensar o esforço, ou então porque sou masoquista mesmo.

Toothless 01Desculpem, ainda estou sujo de manta acrílica.

Gostou? É fã do filme? Quer fazer cosplay e não tem um dragão para te acompanhar? Quer uma fofura dessa pra você? Só entrar em contato. ^^

Status: esperando minha torta de atum assar.

June 16, 2014

Surprise, modafoca!

Posted in Arte, Coisas gostosas, Derping Around, Devaneios, Dicas, Diversos, Selo Fer-chan de qualidade tagged , at 5:33 am by Fer

Pensaram que eu tinha abandonado esse blog como eu abandonei o antigo? Ye he he, pois não acertaram e nem erraram, bebês. Não abandonei de vez essa bodega porque vira e mexe ainda dá vontade de escrever, o problema é que às vezes tenho uma preguiça dos infernos de fazer isso. Isso é meio que abandonar, só que nem tanto. Bah…enfim, só dei uma parada porque não tinha muito o que dizer, então é hora de falar sobre aleatoriedades!

Minha camiseta da Blue Box Tees realmente não chegou, como eu havia previsto (mas pelo menos o vendedor devolveu o meu dinheiro). Mas tenho um amigo de São Paulo que recebeu a dele. Acho que é meio que uma loteria: se o destino for com a sua cara, você recebe a sua camiseta. Se o destino não for com a cara da loja que te vendeu, você não recebe e daí a loja é obrigada a devolver sua grana, com um ou dois dólares a menos graças às taxas do Paypal. Mas agora tem uma novidade: provavelmente a Blue Box Tees cansou de ficar devolvendo o dinheiro para os clientes brasileiros por causa da porcaria de serviço dos Correios que nós temos, então eles não enviam mais para o Brasil. O que eu penso disso? Tão mais que certos, acho que até demoraram pra fazer isso. Não acho justo eles ficarem se ferrando devolvendo um dinheiro por causa de algo que não é culpa deles.

E outro dos motivos pelo qual eu parei de postar foi que comprei a Winona (como eu chamo carinhosamente a minha máquina de costura). Isso foi um choque para algumas pessoas da minha família, que apesar de saberem que eu adoro fazer artesanato e essas coisas, nunca imaginaram que um dia eu compraria uma coisa dessas. Meus amigos não se chocaram, pelo contrário: um ou outro deles chegou a comentar algo como “até que enfim” ou “finalmente criou vergonha na cara”. Namorado me parabenizou. Mas fala sério, vocês diriam algo diferente para alguém que passou a adolescência e boa parte da época da faculdade vendendo bichinhos de pelúcia e de feltro, customizando suas roupas e fazendo à mão suas próprias fantasias de festa? Pensando bem, se eu tivesse a Winona desde meus 14 anos, hoje em dia eu já conseguiria costurar um vestido ao mesmo tempo que tomo o meu café da manhã.

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Não fiz esse kimono enquanto tomava o meu café da manhã, mas foi bem divertido. E vejam só a minha Canon ali na minha mão, é aquela mesma que eu fiz recomendação num outro post aí! :3

Comentários à parte, só digo que essa máquina mudou minha vida! Eu sempre quis ter uma para fazer coisas bobinhas, como customizar alguma roupa e fazer artesanato, mas como sempre ouvi as pessoas dizerem que uma máquina de costura custa caro, eu nem tinha coragem de olhar o preço! Então recentemente decidi pesquisar e descobri que uma máquina boa não é tão cara assim. Quer dizer, tudo nessa vida é caro, mas pra quem achava que até a máquina mais fuleirinha custava mais de mil reais, os R$399 da primeira que eu cogitei comprar não eram lá grande coisa. Essa primeira era a Singer Promise 1408, a mais baratinha que achei, e decidi que a minha seria da Singer, já que todo mundo que eu conheço e que costura diz que é uma das melhores marcas de máquina de costura. Sem contar que 1408 é um filme ótimo, hehehe. Mas no fim das contas, acabei comprando a Brilliance 6160. Custou quase o dobro do preço da 1408, mas não me arrependo nem um pouco, porque tem um monte de pontos decorativos e outras frescurinhas que tô adorando. Mas para quem quiser uma máquina de costura e não tiver muita grana disponível, o pessoal fala que a 1408 e a 1409 também são ótimas, mesmo sendo as mais básicas. Uma amiga minha deu a 1408 de presente para a mãe dela e a gentil senhora está adorando.

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A Patinha do Pusheen foi a minha primeira encomenda pós-compra da Winona. Já o Pusheen comendo bacon foi um dos presentes de dia dos namorados que dei para o Sr. Fernanda. Deu um trabalho dos infernos pra fazer e mesmo assim não ficou como eu queria, mas o importante é que ele gostou. E a Winona lindona no fundo das duas fotos^^

É claro que, para combinar com a compra da máquina, também entrei num curso de corte e costura, que tô achando uma droga porque a professora tá ensinando coisas que eu já sei fazer há um bom tempo. Modéstia à parte, quando realmente gosto de uma coisa, eu estudo sobre ela e acabo aprendendo muito rápido, mas a velocidade dessas aulas tá me desanimando. As máquinas do curso são rápidas demais e eu não posso levar a Winona para usar nas aulas. Para conseguir fazer os pontos direito, eu demoro para me acostumar com a velocidade daquela máquina do capiroto e passo quase metade do tempo da aula tentando me entender com ela, entre tapas, beijos, xingos e muita linha embolada. Parte de mim ainda vai nessas aulas porque tem esperanças de absorver algo útil, nem que seja só alguma dica, gambiarra ou apenas aprender mais sobre tecidos, mas sinceramente, tudo o que aprendi e que foi realmente útil até agora foi pelo Youtube. Eu até teria aprendido algumas dessas coisas no curso se eu não fosse curiosa, apressada, e principalmente se não tivesse um computador com acesso à internet. Aliás, agradeço eternamente à Nill, do blog Moda by Nill, porque pode-se dizer que 70% do que aprendi foi assistindo os vídeos dela. Os outros 30% foi sozinha, fazendo as coisas na marra e estragando alguns pedaços de tecido, ou então pesquisando em outros lugares, como o blog Super Ziper e uns vídeos aleatórios no Youtube.

Já consegui fazer várias coisas bobinhas: praticamente todas as barras das minhas calças (ser baixinha é foda), uns vestidos para a minha sobrinha de 2 anos, uns bichinhos de feltro, consertos em roupa, uma saia de pregas, um kimono de shinigami, enfim, essas coisas básicas que a gente faz quando tá entediada. Aliás, dica pra quem, assim como eu, tá começando no mundo do corte e costura: a melhor coisa do mundo é treinar fazendo roupa pra criança, principalmente se você tem uma em casa ou na casa de algum parente próximo! E o motivo disso é simples: se você fizer cagada, a quantidade de tecido que você vai estragar será bem menor do que se estiver fazendo uma peça para uma pessoa adulta. Isso ainda não aconteceu comigo, mas provavelmente é porque ainda não peguei malha sintética para costurar.

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As pregas ficaram mais bonitinhas depois de passar a saia.

Bem… é isso. Vou tentar atualizar essa bodega com mais frequência, nem que seja só para postar as fotos dos meus projetos em costura.

E se alguém aí quiser adquirir um Pusheen ou a patinha igual da foto, é só entrar em contato comigo aqui pelos comentários mesmo.

Status: deitada na cama, com o note no colo e esperando o sono chegar.

 

November 28, 2012

Será que agora vai?

Posted in Arte, Coisas gostosas, Devaneios, Diversos, Só me fodo., Sobre o lindo ser que vos escreve ♥ tagged , , at 12:25 am by Fer

Ultimamente ando com uma vontade de escrever meio fora do meu normal. Gostaria que essa vontade se convertesse em inspiração para desenhar ou modelar alguma coisa, mas por motivos de força maior (a.k.a. Murphy), meu bloqueio criativo continua mais forte que nunca.

No último fim de semana, resolvi finalmente arrumar algumas coisas no meu quarto. Me mudei de Bauru pra cá definitivamente no final de julho, mas a maioria das minhas coisas ainda estavam encaixotadas dentro do meu guarda-roupa. Também trouxe a escrivaninha grande do outro quarto pro meu, pois como ela tem gavetas, pude arrumar e deixar meus materiais de desenho, pintura e artesanato um pouco mais acessíveis (afinal, seria foda ter que subir num banquinho e abrir as caixas no guarda-roupa toda vez que eu precisasse de algo). Inclusive, foi nessa escrivaninha que esbocei meus primeiros traços há mais de 12 anos atrás, então vamos ver se isso colabora para que meu bloqueio vá embora. Agora tá tudo mais acessível, e também tem mais espaço na mesa.

Enquanto não consigo desenhar nada, quero ver se pelo menos faço uns sketchbooks novos, pois o Natal está chegando e, com ele, a época de presentear azamiga e né, existe coisa melhor que dar um presente legal sem gastar muito? Hoje mesmo comprei uns papéis novos e amanhã pretendo comprar tecidos para as capas. E lá na loja, além de comprar os papéis, não resisti e também comprei um pincel novo. Tava querendo esse fazia tempo, pois ele é daqueles de esquilo amarradinhos e o pessoal fala que é muito bom pra usar com aquarela. Testei ele logo que cheguei em casa, e realmente é ótimo. Vou tentar fazer algum desenho essa semana pra estrear ele direito. Há um tempo atrás eu havia prometido a mim mesma que não ia comprar mais pincéis enquanto não gastasse os que eu já tenho, pois tenho muitos que não uso e confesso que alguns só comprei por impulso, ou porque achei que ia usar, ou porque o preço tava bom. Mas estamos perto do Natal, então resolvi me presentear um pouco antes da data. E também é mais um incentivo pra esse bloqueio do capeta ir embora, afinal eu sempre acabo fazendo pelo menos um desenho quando compro um material novo. Futilidades artísticas, a gente vê por aqui.

Outra coisa que comprei hoje e que me fez feliz: uma caixinha de Lollo! Daquelas com 3 chocolates dentro. Gordices, om nom nom nom! Chocolate é uma coisa divina e eu definitivamente fico feliz quando compro ou ganho algum! *¬*

Status: comendo amendoins e amêndoas de um pacotinho que meu pai me deu, bebendo coca, ouvindo o S&M do Metallica, deitada na cama com o note apoiado na barriga e aguardando ser abraçada por Morpheus.

November 24, 2012

O ano do bloqueio criativo

Posted in Arte, Devaneios, Diversos, Só me fodo., Sobre o lindo ser que vos escreve ♥ tagged , , , , , , , at 1:27 am by Fer

Meados de 2008/2009… a gloriosa época em que o fato de eu não ter um computador era uma boa desculpa para usar o meu tempo livre fazendo outras coisas, como ler e desenhar. Passei por umas situações realmente tensas nesses dois anos, mas artisticamente falando, eles foram o auge da minha criatividade. Eu desenhava bastante, vivia com meu caderno de esboços comigo… aliás, eu tinha vários cadernos de esboços, e usava todos. Lia e estudava bastante sobre os temas que me interessavam quando não sentia vontade de desenhar. Andava pela cidade de Bauru, passeando e buscando inspiração para alguns trabalhos. Bons tempos.

Já o ano de 2012 foi uma merda pra mim, artisticamente falando. Não posso botar a culpa no computador, que foi comprado no final de 2010… a culpa é minha mesmo, por ficar tanto nele. Mas a verdade é que esse ano foi tenso pra mim de várias formas, e tudo o que aconteceu de ruim nele acabou influenciando essa porcaria de bloqueio criativo pelo qual eu tô passando. Mas teve uma coisa que teve mais impacto que as outras.

Logo após o Carnaval, exatamente na Quarta-feira de Cinzas, acordei por volta das 6h da manhã com uma dor no estômago tão forte que eu mal conseguia respirar. Como eu morava em Bauru, fui ao médico de lá, que diagnosticou o meu problema como sendo “só uma virose”, me medicou, receitou remédios e me mandou embora. No dia seguinte, uma quinta-feira muito quente, levantei sem dores, mas foi só comer alguma coisa que o desconforto voltou, junto com vômito toda vez que eu ingeria alguma coisa (até água). Pensei seriamente em voltar para a casa do meu pai por uns dias, já que na época eu não estava trabalhando, e de fato foi o que acabei fazendo depois que um amigo me aconselhou a fazer isso. Chegando aqui, mal pisei na rodoviária, minha mãe já me levou ao pronto-socorro e passei a primeira de 3 noites infernais lá. Quando melhorava, recebia alta, mas era só comer alguma coisa em casa que eu piorava e tinha que ser internada de novo. Me picaram tanto para tirar sangue, fazer exames e aplicar soro que eu estava parecendo uma viciada em drogas, por causa de todas aquelas picadinhas e pequenos hematomas nos braços e nas costas das mãos.

No domingo pela manhã, após suspeitarem que eu tinha hepatite (minha mãe até chorou nessa hora) e depois tantos exames feitos, finalmente saiu o verdadeiro diagnóstico: colecistíase, também conhecida como cálculo biliar ou pedras na vesícula. “Ah, beleza, é só fazer uma cirurgia para tirar as pedrinhas e tá tudo bem”, ouvi um dos médicos dizerem. Lembro que minha pressão baixou, quase desmaiei e precisaram me colocar no soro de novo quando ouvi isso, porque sempre me caguei de medo de ser operada. Aliás, nessa hora eu até estava usando um catéter nas costas da mão esquerda, porque as enfermeiras já não tinham mais onde me furar e decidiram colocar a bagaça na última veia saudável que eu tinha.

A cirurgia ia demorar para acontecer, então o médico me receitou uma dieta sem gordura, para não sentir mais dores. Quem chegou a acompanhar o drama deve lembrar: eu não podia beber leite integral, nem comer arroz ou qualquer coisa que tivesse um mínimo fiozinho de óleo ou gordura na receita, e dessa forma passei 4 meses infernais me alimentando somente com pão, carnes magras, gelatina, frutas e outras coisas que eu odeio. Foram 12kg perdidos do jeito mais torturante possível. Só de pensar em sentir aquela dor de novo me fazia sentir um medo absurdo de comer qualquer coisa fora da dieta. A cirurgia por laparoscopia finalmente aconteceu no dia 30 de junho, data escolhida estrategicamente, já que nesse meio tempo eu já estava trabalhando como professora eventual e minha recuperação se daria nas férias escolares.

Na primeira semana, parecia que eu ia morrer. Um corte pequeno abaixo do sutiã, dois furinhos na lateral direita do abdômen e outro corte um pouquinho maior no umbigo, que foi o mais dolorido de todos. Os cortes foram bem pequenos, mas a dor era enorme, principalmente no corte do umbigo. A segunda semana foi bem mais sossegada, apesar de continuar meio dolorido. Eu conseguia andar por aí sem problemas e só doía mesmo quando eu forçava a região abdominal. Conforme os dias iam passando, eu me recuperava e ia aos poucos podendo voltar a comer normalmente, apesar de sentir alguma dor-fantasma às vezes. Na verdade, já fazem quase 5 meses que a cirurgia aconteceu e ainda sinto dores-fantasma, mas com bem menos frequência que antes.

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O maior corte da cirurgia foi esse do umbigo, e foi também o mais dolorido. Os outros três eu nem sentia, mas em compensação, a dor desse aí me fazia até chorar algumas vezes nos primeiros dias.

Porque falei tanto sobre um simples problema de saúde? É que nesses meses todos que passei com ele, nem conseguia pensar em desenhar ou em ler nada. Me recuperei da cirurgia há um bom tempo… mas meu bloqueio criativo continua aqui e ainda não deu indícios de que pretende ir embora.

Tenso. u_u

November 20, 2012

Remembering of James’s advice

Posted in Arte, Contos, Críticas Tangerínicas, Diversos, Sobre o lindo ser que vos escreve ♥, Uncategorized tagged at 9:42 pm by Fer

Nesse dia, eu não conseguia pensar em mais nada além do conselho do Thiago.

Eram duas e quinze da tarde naquela sala de aula que não era exatamente como as outras. A música que era tocada, a conversa que fluía, os poemas que eram trocados de mão em mão, as canetas que deslizavam suavemente sobre os papéis, manchando-os com linhas que formavam belas poesias… tudo influenciou um clima propício para que aquela situação acontecesse.

“Lembre-se do conselho do Thiago!”

Aconteceu tão rapidamente que mal deu para enxergar os movimentos: uma discussão, por mais ínfima que seja, pode ter diferentes consequências se acontecer na hora errada e no lugar errado.

“Lembre-se do conselho do Thiago!”

Socos, chutes, cotoveladas, cadeiras que voavam pela sala. Olhos emanando ódio em alguns rostos, olhos amedrontados em outros. E que o dia de hoje seja lembrado como sendo o dia em que o conselho do Thiago me salvou.

Texto escrito em 19/11/2012.

November 9, 2012

Não sendo aquele com uva-passa, eu mando pra dentro fácil.

Posted in Arte, Críticas Tangerínicas, Devaneios, Dicas, Diversos, Só me fodo., Sobre o lindo ser que vos escreve ♥ tagged , , , at 9:36 am by Fer

Hoje eu quero falar sobre o tal do talento.

Não, não é sobre aquele chocolate maravilhoso. Aliás, o meu Talento favorito é o da embalagem vermelha, fica a dica pra quem quiser me presentear. Apesar que eu ainda prefiro Ouro Branco… não, pera, foca no texto, Fer!

Comecei a desenhar com 12 anos de idade, graças a uma revistinha que peguei emprestada com uma amiga na época (abraços, Martha!). Era uma revista em quadrinhos desenhada por brasileiros, fazendo sátiras muito engraçadas com os animes da época. Se não me engano, era uma Aniparo. Comecei a copiar os desenhos a olho, só pra ver se eu conseguia. Com algum esforço, consegui. Depois comecei a copiar outros desenhos e, depois de algum tempo praticando, eu já conseguia desenhar sem olhar. Sempre treinava. É claro que não com tanto afinco como a maioria das pessoas que gosta de desenhar, mas treinava.

Desenhar era o meu refúgio, e fazendo isso eu me desprendia de tudo o que me incomodava. Mesmo que por pouco tempo, eu esquecia que não tinha amigos, esquecia que existia aquela escola maldita onde sofri tanto, esquecia que a minha família me discriminava por não ser o que eles chamam de “pessoa normal”. Desenhei por anos, apenas por diversão. Treinava coisas novas quando dava vontade, desenhava as mesmas coisas quando tinha vontade, ou às vezes só rabiscava aleatoriamente até aparecer alguma coisa curiosa.

Hoje já tenho 24 anos e, mesmo que meu traço ainda não seja o que eu gostaria que fosse, ainda desenho. Ou seja: passei praticamente metade da minha vida desenhando, pra depois aparecer um babaca dizendo que eu só sei desenhar porque tenho talento? Porra nenhuma!

Daí sempre tem outro tipo de babaca que fala: “ai, eu nunca conseguiria desenhar desse jeito”. É claro que você não vai conseguir fazer nada se não tentar, seu idiota. Por acaso você nasceu sabendo escrever? E mesmo quando aprendeu, sua letra era bem feia no começo, não era? Eu, por exemplo, tenho a letra feia até hoje. É óbvio que os seus primeiros desenhos ficarão feios, porque ninguém nasceu sabendo. Existem coisinhas chamadas prática, paciência, esforço… só que como o ser humano é um ser escrotamente babaca, ele acha mais fácil diminuir o esforço dos outros do que reconhecer anos e mais anos de trabalho duro.

Existem pessoas que tem mais habilidade que outras? Sim, isso é fato. Aliás, eu nem chamaria de “habilidade”. Acontece que desenhar é observar. Como é que você, otaku, quer aprender a desenhar um kimono sem nunca ter visto como se veste um kimono? Ou você, pessoa lesada que nunca presta atenção em nada, como espera conseguir desenhar alguma coisa sendo que você precisa prestar atenção nos formatos e cores? É fato que todas as pessoas que desenham são boas observadoras. E também tem o fator “gostar”: se a pessoa não ama o cinema do fundo do coração, ela jamais será uma boa cineasta; se a pessoa não ama literatura, ela jamais será uma boa escritora… então, se a pessoa não ama as artes, ela não vai conseguir se sair bem nessa área. Tem que gostar, senão não rola. E quando eu falo em “gostar”, não me refiro às pessoas que apenas vêem aquilo e acham “legal” ou “bonitinho”. Tem que ter paixão por isso!

Confesso que sou bem radical quando se trata desse assunto… acho que dizer “você tem o dom para a pintura” só minimiza os anos de aprendizado, estudo de técnicas e material desperdiçado pelo artista. Porque sim, a maior parte do material que usamos é desperdiçado, já que nem todos os trabalhos ficam bons. A cada tela que um pintor expõe numa galeria, pelo menos dez telas e muitos tubos de tinta são gastos em treinos. Dizer “você tem talento para fazer cosplay” só minimiza todo o esforço, dinheiro e tempo gasto pelo cosplayer para conseguir aquele resultado (detalhe que nesse caso também há o fator desperdício). Dizer “queria ter a mesma habilidade que você para escrever” só minimiza todas as árvores gastas em papel e todo o tempo que o escritor passou lendo, estudando e escrevendo para chegar naquele nível.

Dica para quem já tem ou um dia quer ter filhos: nunca digam à criança que ela tem talento ou dom. Ela vai acabar pensando que consegue fazer as coisas sem esforço, e vai se frustrar com isso. Se você acha que seu filho desenha bem, apenas diga que o trabalho está bom e o incentive a melhorar, compre revistas, pose para ele. E principalmente, DEIXE ELE ASSISTIR DESENHOS! Não consigo escrever essa frase sem ligar a caixa alta, me desculpem. Aliás, deixe ele assistir de tudo. Aliás, assista com ele. Ou então apresente o pirralho para mim, que eu dou um jeito. Só não posso garantir que a experiência não será traumatizante para o pequeno, mas enfim.

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 Seria tipo isso.

Por isso, jovem pessoa ignorante, se quer realmente elogiar o trabalho de alguém (principalmente se forem trabalhos artísticos/culturais), nunca mencione palavras como “dom”. Ah, e se for pra falar de talento, só se for “olha Fer, gostei tanto do seu desenho que acho que você merece esse de avelã”. Nham, nham… *-*

Às pessoas deficientes em intepretação de texto: falei mais sobre desenho do que sobre outros tipos de arte porque essa é a minha área, mas continua válido se você trocar a palavra “desenho” e colocar no lugar qualquer outra coisa relacionada à área artístico-cultural.

E sim, fiz esse post porque fico revoltada quando se fala em “dom” ou “talento”. Nunca acreditei nessas coisas e nunca vou acreditar. Abraços!